IShowSpeed na Copa do Mundo: quando a "segunda tela" é a primeira janela para novos fãs

A FIFA e a Fox Sports oficializaram parceria com IShowSpeed para que espectadores nos EUA possam assistir às imagens oficiais da Copa dentro das transmissões dele. Com 55 milhões de inscritos e +77,6% de crescimento em relevância ano a ano chegando a 1,41 bilhão, a lógica comercial é evidente.
O que o fenômeno revela vai além dos números: para uma parte da audiência, Speed não é uma simples “segunda tela” para o espectador. Pra uma boa parte da audiência, ele por vezes é o ponto de entrada para o futebol. E isso muda a forma como marcas deveriam pensar ativação em eventos globais.

"Segunda tela" descreve só metade do fenômeno
A narrativa dominante sobre creators e eventos ao vivo usa o termo "segunda tela": enquanto o jogo passa na TV, o público acompanha um creator no celular em paralelo. É tecnicamente correto para parte da audiência, mas esconde o fenômeno mais relevante.
Speed não é analista de futebol. É uma referência em esporte como entretenimento: futebol, NBA, NFL, o que vier. O que sua audiência segue não é expertise técnica. É a energia, a reação no limite, a sensação de assistir algo ao lado de alguém que vai ao delírio junto.
Para os fãs de futebol, ele funciona como uma camada extra: companhia, entretenimento, a satisfação de ver alguém com 55 milhões de seguidores reagindo como você está reagindo. A transmissão oficial entrega o jogo. Ele entrega a experiência de vivê-lo junto.
E o react não é um nicho. Desde o início da Copa, vídeos de reacts acumularam mais de 26M de engajamento, 390M de views e 8 mil vídeos, segundo o Winnin Intelligence. Speed é o exemplo mais visível de um comportamento que já existe em escala: a audiência não quer só assistir ao jogo, quer assistir com alguém.
Para quem não é fã de futebol, a lógica se inverte. O ponto de entrada é o Speed. O jogo entra por consequência, porque ele está reagindo a ele. Não é segunda tela. É a única tela que importa.
O mesmo padrão da Adélia, em escala global
Esse mecanismo é o mesmo que explica o crescimento da Adélia Bristot durante a Copa: creators que constroem relações de confiança com suas comunidades se tornam portas de entrada para universos que a audiência nunca acessaria sozinha. A diferença de escala entre os dois é enorme. O princípio é o mesmo.
A audiência não chega ao futebol e depois escolhe com quem assisti-lo. Ela chega ao creator, e o futebol vem junto.
O YouTube segue como plataforma dominante para conteúdo de futebol, com 67,6% de share nos últimos 12 meses e 53,3% durante o período da Copa, segundo o Winnin Intelligence. O crescimento de TikTok e Instagram durante o torneio, de 19,4% para 22% e de 8,8% para 18,2% respectivamente, aponta para onde as novas audiências chegam: plataformas de creators, não de transmissoras.

Para marcas, a pergunta não é onde a audiência assiste. É com quem.
A pergunta relevante não é "onde o meu público assiste ao jogo?" É "quem está mediando a relação da minha audiência com o evento?"
Speed construiu 55 milhões de inscritos porque entende sua comunidade, e agora a Copa faz parte do que ele entrega a ela. Marcas que entendem essa lógica chegam a audiências que nunca chegariam pela transmissão oficial, não porque fizeram uma compra de mídia mais inteligente, mas porque entenderam que o fandom não começa no apito inicial. Começa onde a confiança já existe.
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Raquel Carletto
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