Tim Payne e a narrativa do underdog: a história que continua conquistando atenção na Copa

Os maiores protagonistas da Copa nem sempre são os favoritos. Às vezes, são as histórias improváveis que a internet decide transformar em fenômeno.
No dia 1 de maio de 2026, dados da Winnin Intelligence mostram o nome Tim Payne registrava 5 interações de engajamento na plataforma. Dezesseis dias depois, esse número era de 30,5 milhões. O crescimento foi de +30.500.000%, impulsionado por uma narrativa que o futebol conhece bem e que continua a mobilizar o público geração após geração: a do underdog.
Tim Payne é jogador da Nova Zelândia que, até então, não tinha fama. Foi o influenciador argentino Valen Scarsini quem o colocou na conversa global: um vídeo que apresentava o jogador acumulou 20,3 milhões de visualizações e 1,6 milhão de likes. A conta oficial da FIFA entrou na sequência, com mais 14,2 milhões de views e 1,8 milhão de likes. Hoje, Tim Payne tem 5,5 milhões de seguidores no Instagram.

Essa história só reforça como, em 2026, narrativas já conhecidas no esporte podem ganhar novas proporções quando encontram a velocidade das plataformas e a força dos criadores.
Por que o underdog mobiliza de forma diferente do favorito?
Messi acumulou 5,3 bilhões de engajamentos nos últimos 12 meses. Neymar, 4,7 bilhões. CR7, 3,9 bilhões.
São dados da Winnin Intelligence que confirmam o tamanho dessas audiências, mas dizem pouco sobre a qualidade da conexão que esses atletas geram em um torneio específico.
A narrativa do underdog segue outra lógica. Ela não pede que o fã já conheça o jogador. Ela constrói a relação em tempo real, a partir de uma identificação que vai além da performance atlética.
O que é a narrativa do underdog no esporte?
No esporte, a narrativa do underdog descreve histórias de atletas ou equipes que superam expectativas e conquistam atenção justamente por serem vistos como improváveis protagonistas.
Tim Payne não acumulou 30,5 milhões de interações porque é tecnicamente superior aos demais. Acumulou porque a internet reconheceu nele algo universalmente familiar: a sensação de estar num lugar muito maior do que o esperado.

Esse fenômeno está documentado em nosso relatório, The New Era of Sports Fandom, que analisou mais de 8 milhões de vídeos e 430 bilhões de visualizações de eventos esportivos em todo o mundo.
Um dos achados centrais é que atletas com narrativa de “azarão” geram engajamento consistentemente desproporcional ao seu peso esportivo, porque o público se conecta com o sentimento de pertencimento e com histórias que parecem possíveis, não apenas admiráveis.
Como marcas podem ler esses movimentos antes que se consolidem?
A Copa de 2026 não está sendo contada apenas pelos favoritos. Está sendo construída por quem a internet decide eleger como protagonista, e esses protagonistas emergem de narrativas, não de títulos.
Para marcas que monitoram o Share of Attention™ ao longo do torneio, o caso de Tim Payne deixa um dado claro: os maiores picos de engajamento não necessariamente ocorrerão nos momentos mais previsíveis.
Vão acontecer quando uma narrativa com apelo real encontrar o criador certo no momento certo.
Marcas com inteligência cultural para identificar esses movimentos enquanto ainda estão se formando têm uma janela de ação que o planejamento tradicional de patrocínio, por definição, não consegue captar.
O relatório The New Era of Sports Fandom da Winnin analisa os comportamentos e fenômenos culturais que estão redefinindo como o público consome esporte, e o que as marcas precisam entender para se manter relevantes durante os grandes torneios.
About the Author
Sofia Bedeschi
Jornalista e especialista em redes sociais, com experiência em estratégia de conteúdo, narrativas digitais e na construção de comunidades. Tem interesse em cultura, tecnologia e marketing, acompanhando tendências e movimentos que transformam a forma como marcas e pessoas se conectam.