
Endrick teve seu "debut" como K-pop idol pras fãs da comunidade coreana. Entenda o remix de comunidades por trás do fenômeno e o que ele revela sobre a Gen Alpha.
Fãs de K-pop pegaram a entrada de Endrick na Copa do Mundo 2026 e trataram como o "debut" de um idol: vídeos com hits coreanos de fundo, brincando com a estreia do atacante como se fosse o lançamento de um artista novo no mercado. Em menos de três semanas, esses vídeos somaram mais de 2,6 milhões de engajamento, segundo a Winnin Intelligence.
O que faz esse case valer atenção não é só o número. É que ele confirma um padrão que a Winnin já tinha mapeado antes da Copa começar, no relatório The New Era of Sports Fandom.
Endrick e K-pop: como a Copa virou debut de idol

A comunidade de K-pop não ficou só na piada com hits coreanos de fundo. Ela importou pro universo de Endrick o próprio vocabulário do fandom: chamou o jogador de "maknae", termo usado pro membro mais jovem de um grupo, e de "golden", referência a quem tem talento fora do comum, geralmente reservada aos membros mais versáteis.
A entrada de Endrick na Copa passou a ser narrada como um "debut", o momento em que um idol se apresenta oficialmente ao público.
Os números mostram que isso não foi um vídeo isolado. Segundo a Winnin Intelligence, o recorte específico "Endrick + Kpop universe", entre 11 e 29 de junho de 2026, já passava de 3 milhões de engajamento e mais de 10 milhões de visualizações.
E a relevância geral de Endrick como tópico cultural, que se manteve baixa durante praticamente todo o ano anterior, saltou pra mais de 20 milhões em junho de 2026, coincidindo com a Copa.

Remix de comunidades: um padrão que o relatório Sports Fandom já mapeava
No relatório The New Era of Sports Fandom, a Winnin já descrevia esse tipo de comportamento antes da Copa começar, como parte do que chamamos de Remix de Comunidades: fãs que consomem um esporte pela identidade estética e pelos códigos culturais, não pela lealdade a um time ou pela competição em si. Pra esse público, torcer é, basicamente, curadoria de estética pessoal.
O relatório inclusive já listava combinações de fandoms como essa entre os exemplos de "Passion Fusion": MMA com K-pop era uma das combinações catalogadas antes de qualquer coisa acontecer com o futebol. O crossover entre Endrick e K-pop não é uma coincidência isolada, é a mesma lógica migrando de um esporte pra outro.
A Gen Alpha não espera ninguém puxar a cadeira
O que esse case revela sobre a Gen Alpha é mais importante do que o meme em si: essa audiência não espera marcas ou creators criarem esse tipo de conexão por ela. Ela cria a conexão primeiro, com seus próprios códigos, e só depois isso vira conteúdo relevante o suficiente para aparecer no radar de quem está de fora.
Isso muda a pergunta que uma marca deveria fazer. Não é "como eu entro numa comunidade", é "o que eu crio que uma comunidade vai querer reinterpretar por conta própria". A diferença entre as duas perguntas é a diferença entre tentar comprar relevância e criar o material bruto pra ela nascer.
O que marcas podem aprender com o caso Endrick K-pop
Esse tipo de fã já rendeu resultado pra quem soube aproveitar antes da Copa. A Samsung fez isso nas Olimpíadas de Paris 2024, com a campanha "Victory Selfie": em vez de tratar atletas só como competidores, tratou cada um como um ícone 360°, pensado pro que o relatório chama de "fã estético", aquele que consome a cultura em torno do esporte, não só o resultado da prova. A campanha não determinou como as pessoas deveriam reagir. Criou o momento certo pra reação acontecer.
O que a Winnin lê no fenômeno Endrick + K-pop
- Remix de comunidades é um padrão rastreável. A Winnin já cataloga esse tipo de fusão de fandoms antes de saber qual esporte ou qual atleta vai protagonizar o próximo caso.
- A demanda aparece primeiro no comportamento da comunidade, não no briefing de uma marca. Quem espera a comunidade declarar interesse chega depois de quem já está lendo o rastro que ela deixa.
- O papel de uma marca nesse tipo de momento é abrir espaço pra reinterpretação, não fechar uma narrativa única.
Quer ver os outros padrões de fandom que a Winnin já identificou antes de virarem óbvios? Acesse o relatório completo, The New Era of Sports Fandom.
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Raquel Carletto
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